Friday, November 14, 2008

Transcrição da Carta dos Jogadores

De seguida vos transcrevo a carta enviada pelos jogadores aos amigos do Rugby do Cascais:

"Tendo em conta o último Comunicado da Direcção do GDS Cascais, e no sentido de esclarecer as muitas imprecisões grosseiras acompanhadas de mentiras diversas, que só podem ter origem, ou num profundo desconhecimento da realidade que envolve o rugby do GDS Cascais, ou na mais pura forma de má fé, aqui fica a verdadeira razão dos mais recentes acontecimentos.

É sabido por todos que sempre nos condicionámos a tecer comentários públicos sobre o rugby do GDS Cascais, no entanto, e quando confrontados com a publicação do comunicado em causa, sentimo-nos no direito de nos defendermos, aproveitando para expor os motivos que nos levaram a tomar a difícil decisão de sair do GDS Cascais…

Ao ler o comunicado em causa somos forçados a concordar com a sua essência. Retirando as calúnias, as mentiras e o desconhecimento, de facto, e tal como expresso no comunicado, saímos do clube por não concordarmos com o rumo dado ao rugby do Cascais pela sua actual direcção. Engraçado como não são precisas mais do que poucas linhas, para logo no primeiro parágrafo nos debatermos com a primeira Grande “não verdade”: Eventualmente, saímos para fundar outro clube de rugby, diz o referido comunicado!

Ora, sabe bem a direcção e outros membros do clube, que a possibilidade de sair do Cascais nunca sequer existiu, quanto mais sair para formar outro clube. Sabem-no pela nossa presença nas reuniões de preparação da época 2007/2008, sabem-no dada a forma e o momento em que saímos do clube. Dizer que saímos do GDS Cascais para formar um clube novo é das mais fracas manobras de diversão que já alguma vez presenciamos… É difícil de acreditar que à data, a secção de rugby do GDS Cascais não tenha ainda percebido os motivos da nossa saída, preferindo camuflar a sua origem, com falsos propósitos.


Sim, nós jogadores Seniores que jogámos e aprendemos Rugby no Cascais tomámos a decisão de abandonar o Dramático esta época, em 2007! E fizemo-lo…

- Não porque descemos à 2ª Divisão, como em tempos aconteceu!
- Não porque não temos campo para treinar, como em tempos aconteceu!
- Não porque não temos luz, água e balneário, como em tempos aconteceu!
- Não porque não temos um plantel grande e competitivo, como em tempos aconteceu!
- Não porque não temos ginásio para treinar, como em tempos aconteceu!
- Não porque não temos fisioterapeuta durante os treinos, como em tempos aconteceu!

Tudo isso, e muito mais, suportámos com orgulho, fé e amor ao rugby do Cascais, desde tenra idade, na perspectiva de vir a conseguir as condições que o Rugby de Cascais merece e estavam prometidas à anos! Alguns de nós esperaram mais de 10 anos por este momento (leia-se duas épocas a trás), sem que para tal tenhamos ido “passear a nossa classe” para outros clubes nacionais, mais bem apetrechados de condições, e esperar que o trabalho e sacrifício de muitos fosse concretizado. Convites nunca faltaram!

Depois de se terem alheado durante tantos anos deixando o Rugby ao abandono, precipitam-se agora, tentando fazer crer que as condições de hoje se devem a hoje!!! É extraordinário como um projecto de 15 anos, pode ser alvo de tanta cobiça de meros observadores que andaram a ver de longe e a escolher o momento certo para saltar para o trabalho feito por outros.

Não abandonámos quando era difícil ficar! Não abandonámos quando era mais fácil sair!

Abandonámos quando finalmente nos apercebemos, que o “tal projecto para o Cascais” definido pela actual direcção, que há dois anos atrás a todos foi vendido, não passa de uma mera declaração de intenções!

O actual projecto do GDS Cascais…

Colocar o Cascais de novo a disputar o campeonato nacional de rugby é sem dúvida um objectivo nobre, no entanto, a realidade, por nós sentida e vivida e inclusivamente transmitida pela secção de rugby, não pressupõe qualquer lógica de vitória: “Vamos aguentar o barco até que cheguem os juvenis” !!!

Este é o projecto do GDS Cascais à data da nossa saída, para a sua equipa sénior. Estas são as palavras da secção de rugby, no último treino antes do jogo decisivo da época passada contra o Técnico. Estas são as mesmas palavras proferidas na preparação da época 2007/2008. Alias, assim tudo faz sentido. Todas as decisões tomadas, e algumas não tomadas, ao longo destes dois anos de direcção suportam perfeitamente este seu mote
“Vamos aguentar o barco até que se cheguem os juvenis!”.

Basicamente, o que sentimos, é que desde que não se desça muito lá para baixo, até chegarem os juvenis, tudo o que vier é lucro! É no mínimo triste, em 2007 e com as actuais condições, conquistadas, por muitos que não estes, ao longo dos últimos 15 anos, que seja esta a linha orientadora do rugby sénior do GDS Cascais.

Foi precisamente com essa lógica que vivemos nos últimos anos antes da chegada desta direcção. Com poucos recursos, sem campo para jogar e para treinar, com poucos jogadores, fez-se exactamente isso, “Aguentou-se o barco”, enquanto se lutava por aquilo que se tem hoje. Talvez dada a ausência de todos os membros da actual secção nesses momentos difíceis, isso não seja do seu conhecimento...

Infelizmente levámos dois anos para nos apercebermos que era este o verdadeiro projecto para o rugby do Cascais! Infelizmente, e talvez por termos esperado tanto tempo a sonhar, se calhar tempos houve em que nos enganámos a nós próprios…

Se calhar a vontade de voltar a triunfar no Cascais, junto dos nossos Amigos, no clube que sempre foi a nossa 2ª casa era tanta, que nos impediu de ver com clareza o que se passava. Por outro lado, não tínhamos motivos para duvidar da competência e das intenções da actual secção de rugby do Cascais. Restava-nos acreditar e entrar no “barco”.

O que nunca esperámos foi uma postura redutora e inquisitória em relação ao passado mais recente do Cascais. O passado do qual fazemos parte. Fomos campeões nacionais de seniores, ganhámos taças e super taças de Portugal, ganhámos a Taça Ibérica de clubes, ganhámos vários torneios de sevens, e no entanto nunca nos verão a renegar o nosso passado, nos momentos em que este foi desportivamente menos feliz.

Não temos vergonha do passado do Cascais! Não entendemos que as 2ªs divisões sejam menos honrosas! Não partilhamos da ideia de que para fazer um clube campeão, devemos esquecer e renegar o seu passado recente de insucessos! Frases como “isto agora não é o da Joana” e “isso era d’antes” ilustram o que o clube pensa sobre si mesmo…


Os nossos Desacordos…

Tudo isto criou desde o início um distanciamento cada vez maior, entre a secção de rugby e a equipa sénior, que a nós sempre nos incomodou. Tirando os treinadores, a direcção do rugby tem sido ausente no conhecimento da realidade dos seniores e no apoio à equipa sénior.

Foram muitos os episódios que ilustram a divergência de valores entre nós e GDS Cascais, dos quais destacamos apenas alguns:


Preparação da época 2007/2008:

Depois de inteiramente organizada por nós, uma gala e um torneio de sevens em Cascais (em tempo record, o que mostra que só é preciso vontade para que as coisas se façam), com o objectivo de dinamizar o clube, aproximar adeptos e criar verbas, e tendo em conta o sucesso de ambas as iniciativas, procurámos expor à direcção todos os projectos que tínhamos equacionado para a próxima época no sentido de angariar apoios.

Tínhamos inclusivamente já tido algumas reuniões preparatórias com possíveis patrocinadores. Qual não foi o nosso espanto quando a direcção nos transmite que o que temos planeado é óptimo, uma vez que esses apoios serão a base de financiamento para a próxima época!!??

Ainda tentámos explicar que estes apoios deveriam ser encarados com um “bónus”, dinheiro com o qual não se contava e que poderia ser usado para uma digressão no fim de época, contratação de um jogador estrangeiro de valia, etc… A resposta da direcção foi simplesmente que já tinham feito tudo o que podiam, e que não tinham mais recursos. Isto em Julho

Foi-nos dito inclusivamente que para a próxima época seriam cobradas mensalidades aos jogadores seniores da ordem dos 35 euros mensais, por um período de 10 meses, e que esta seria a única forma de garantir o pagamento das franquias dos seguros desportivos. Basicamente para uma equipa que se quer campeã em 4 anos, este foi o cenário apresentado para o início do 3º ano!

Contratações:

São contratados jogadores estrangeiros de qualidade no mínimo duvidosa (Croata, na época 2006/2007), fazendo-se contratos em que não há sequer um período de experiência, tendo que se pagar a totalidade do contrato ao jogador, mesmo quando se torna evidente que vários milhares de euros pagos, em nada contribuem para o aumento de qualidade da equipa.

Ex-jogadores do Cascais são pagos pelo clube justificando a própria direcção que caso não haja pagamento para esses jogadores eles irão embora (não se percebe porquê…). Estando posta de parte qualquer dúvida em relação à mais valia que representam na equipa, se paralelamente o clube nega o pagamento de exames e tratamentos médicos básicos a jogadores da “casa”, é muito complicado estar em acordo com esta política…É sempre tudo muito complicado, o seguro, a franquia, o impresso, o prazo que já passou, a clínica da companhia de seguros, etc…

Tendo em consideração a fraquíssima contratação efectuada no ano anterior, inédito no Cascais, e no seguimento de conversas com treinadores e jogadores argentinos, soubemos da possibilidade de contratar um jogador argentino de nível muito elevado (comprovado por quem sabe), bastando para tal oferecer alojamento e trabalho numa área especifica. O trabalho estava garantido por nossa conta, o alojamento seria preocupação do clube. A resposta foi: “tem sido cada vez mais unânime que os Sul Americanos gostam pouco de trabalhar”! Se não gostam de trabalhar está lá precisamente a direcção para os pôr a trabalhar! Para os pôr a treinar miúdos, por exemplo!

Foi com este tipo de interesse que as nossas ideias foram normalmente recebidas. Nada tínhamos a ganhar, pessoalmente, com esta contratação, apenas entendíamos que uma vez que parte do problema estava resolvido (trabalho) e que a qualidade do jogador era inegável, pelo menos deveria ter havido algum interesse, ainda mais quando nos lembramos da contratação feita na época anterior… Pelo menos que a sugestão fosse recebida com agrado, mesmo que não se concretizasse, e não com um “é que…”.

A equipa técnica para 2007/2008:

Para nós o cenário era negro! E não só para nós. A própria direcção não se escusou de realçar que era essa a realidade, negra. Tudo ia mal, tirando a escolha da equipa técnica: Craig Ferris e Zé Maria, com o apoio do Badocha. (Aproveitamos para referir que coincidência ou não, estes foram exactamente os nomes das pessoas por nós contactadas aquando da saída do Prof. Olgário Borges, e sugeridas para integrarem a equipa técnica na época passada). Aliás, a equipa técnica para a próxima época era o nosso único ponto de equilíbrio, e era para nós sinónimo de motivação. Até que o Zé Maria nos informa que por motivos da sua vida privada não poderá, com pena, ser o treinador juntamente com o Craig e Badocha…

Tínhamos perdido a nossa única referência! Tínhamos perdido um excelente jogador, um promissor treinador, um cartão de visita do clube, um Amigo, e um exemplo para todos (não era por acaso que era apelidado de Sensei!). A impossibilidade do Zé Maria em treinar a equipa deixou-nos simultaneamente tristes e preocupados. Para além de tudo o que simbolizava para toda a comunidade do rugby, perdíamos alguém que estaria a 100% nos treinos, visto teremos sido informados que o Craig Ferris não teria disponibilidade total (leia-se, não estaria presente em todos os treinos).

Perdíamos um jogador campeão, internacional, com um vasto conhecimento do jogo, principalmente de 3/4s. Sem o Zé Maria, e tendo em conta todo o cenário já descrito, a próxima época parecia-nos cada vez mais um pesadelo!

Para a secção de rugby a saída do Zé Maria parecia não causar grande preocupação, passando a responsabilidade de avaliar a necessidade, ou não, de se arranjar uma solução, para a restante equipa técnica. O resultado, foi toda a preparação, ou não preparação, de uma época sem uma única pessoa capaz de reconhecer as verdadeiras necessidades do plantel.

Alternativas, na nossa opinião mais do que válidas, foram rejeitadas no segundo em que foram por nós sugeridas, cabendo à actual direcção explicar os argumentos para tal (isto quando dias antes a direcção falava da falta de pessoas com vontade de ajudar o clube sem contra partidas financeiras). Atenção que não se estava a tentar impor ninguém, apenas se estava a encontrar uma solução para um problema que era visto por alguns como de menor importância…para nós, o Zé Maria seria mais do que treinador, seria a alma da equipa (lembrem-se os que puderem, das sua palavras antes do jogo da final do ano passado) e para nós, este era o grande problema a resolver! Pensamos na altura que as renovações de contratos e questões demais poderiam ficar para segundo plano…novamente, não víamos as coisas da mesma forma…

As camadas jovens:

Ficar satisfeito por ter crianças em todos os escalões, hoje com as actuais condições que o clube tem é compreensível, mas criticar os momentos em que crianças se tinham de deslocar para as traseiras de um bar, ou para um lamaçal escuro para praticar Rugby, é infame. Infame para os que tiverem de lidar com o problema e para os Pais que aguentaram.

Foi muito difícil, mas mesmo assim o Cascais chegou a ter centenas de infantis, sim centenas (projecto “JOGAR E CRESCER EM CASCAIS”), sem campo para treinar. Mas infelizmente alguns nunca souberam disso pois não estavam lá!

Ao contrário do que diz o comunicado da direcção, nunca sugerimos o desinvestimento nas camadas jovens, o que sugerimos sim foi a sua reestruturação! Em função daquilo que é a prática em todos os clubes de referência nacionais (e que sempre foi feito no Cascais), o envolvimento de jogadores seniores na formação dos escalões em simultâneo com treinadores profissionais e com formação especifica, é tão só a base de um rugby de formação de sucesso, e acima de tudo, em sintonia com a equipa sénior, pois é lá que queremos que eles triunfem!

Infelizmente a direcção parece ver a certificação de treinadores pela F.P.R. como um tecto, e não como um soalho. A necessidade de formação dos treinadores é tão óbvia que nem merece discussão. Temos pena que apenas se vejam as coisas a preto e branco: os treinadores dos escalões de formação, ou são profissionais certificados, ou são atletas do clube sem formação, não conseguindo perceber que ambos são importantes. Temos pena que não consigam olhar para dentro do clube e descobrir pessoas, licenciadas, com formação específica, e que são do clube, dispostos a ajudar, de borla!

Á data da nossa saída, o Cascais não apresentava um único jogador da sua equipa sénior envolvido no treino dos seus escalões de formação (o Vasco Jonet ajudava, e bem, os treinadores dos infantis, mas não podia ser considerado um treinador)…

Aconselhamos que se informem sobre a constituição das equipas técnicas dos escalões de formação de outros clubes da nossa divisão, a começar pelos que ficaram nos 4 primeiros lugares do CN da época passada! Descobrirão certamente um denominador comum em todos eles, que não existe no Cascais… Descobriram em todos eles nomes de jogadores dos Séniores das respectivas equipas. Descobriram nomes dos seus jogadores estrangeiros. Só envolvendo jogadores seniores no activo, em parceria com outros treinadores com formação e 100% disponíveis para o treino, é que é possível transmitir a cultura e os valores do clube para os seus escalões!

Só assim é possível que os valores do rugby do Cascais sejam transversais em todo o clube! Só assim se garante uma constante actualização do rugby! Só assim se garante que de repente “o grito” dos seniores não seja diferente do dos juvenis! Só assim se garante que todos os miúdos se revejam no seu treinador, o admirem, o queiram ir apoiar e ver jogar aos fins-de-semana! Só assim é possível ter escolas de formação de sucesso, e actuais! Só assim se evita o espírito de picardia e conflituoso dos juniores para os seniores, bem patente nos treinos de sevens de há dois anos atrás (entretanto resolvido por iniciativa)!

Na época passada, nenhum escalão de formação era treinado em parceria com jogadores seniores. Mais, tirando os juvenis, todos os treinadores dos outros escalões eram completos desconhecidos do rugby do Cascais. Não estando em causa a sua dedicação e qualidade, a verdade é que não encerram em si a bandeira do clube. Todos nós fomos treinados (e tão bem…) por jogadores seniores, e com grande sucesso. Cada um de nós não perdia um jogo dos seniores, pois queríamos ir ver os nossos ídolos, os nossos treinadores a jogar. É assim que se constrói mística e alma num desporto amador!


Questionar a valia do Tomaz Morais:

Quem é o “estúpido” que pode criticar a “mais valia técnica” do Tomaz Morais??!?! Onde? No Cascais? No Direito? Na Selecção Nacional? Com base em quê??? Usar este argumento, escrevê-lo e publicá-lo, é tirar toda e qualquer credibilidade a qualquer tipo de raciocínio. Se há coisa unânime no rugby nacional é precisamente a mais valia técnica do Tomaz. E é unânime porque os factos estão à mostra, e contra factos não há argumentos, nem para quem possa ser seu crítico, o que obviamente não é o caso.

Aliás, aproveitamos para relembrar que o próprio Tomaz foi treinador de alguns de nós, enquanto jogava nos seniores, tendo-nos marcado positivamente, fazendo parte desses tais ídolos de que falámos. Hoje, é com orgulho que dizemos que fomos treinados pelo Tomaz! Bem diferente é entendermos que muito mais poderia ser feito, tendo em conta as infra-estruturas existentes, e o nome do Tomaz, não por parte deste, obviamente, mas sim por parte da direcção do clube!

Os Sevens:

Escusamo-nos de descrever o palmarés desportivo do Cascais, no que toca à vertente de sevens, bastando para tal dizer que principalmente no estrangeiro, é um dos mais fortes cartões de visita do clube. Jogámos na África do Sul, em Melrose (Escócia), em Espanha, na Holanda, etc. Desde que nos conhecemos que se joga sevens em Cascais, e bem! Desde que jogamos nos seniores que todas as épocas se disputam vários torneios de sevens, em Portugal e no estrangeiro, nomeadamente em Espanha.

Ainda este ano, o Cascais foi referido pela organização do XVII TORNEIO INTERNACIONAL DE MADRID como uma das equipas com mais presenças no torneio. Esta referência ao Cascais foi feita em público, na cerimónia de abertura do torneio, à qual se seguiu uma salva de palmas. Foi um orgulho! Mesmo com uma equipa muito nova, o Cascais teve uma prestação notável no torneio, tendo sido apenas eliminado nas meias-finais, em jogo contra a selecção Espanhola! Mais uma vez, foi um orgulho. Mais uma vez o Cascais apareceu nos jornais!

Ainda este ano o Cascais foi convidado a participar no I TORNEIO INTERNACIONAL DE PORTO DE SANTA MARIA, com uma organização fora de série! Fomos tratados como reis e recebemos o prémio fair-play, mas mais do isso ouvimos da boca dos organizadores que há uns anos atrás quando jogavam um jogo de sevens contra o Cascais, a vontade deles era sair do campo ao intervalo para se sentarem nas bancadas a verem o Cascais a jogar! Mais uma vez foi um orgulho!

Ora tudo isto parece não ser importante para a actual direcção. Tudo isto só foi possível nestes últimos dois anos pelo esforço pessoal de alguns jogadores em arranjarem financiamento para os sevens. Nestes últimos dois anos a preparação das épocas de sevens por parte da direcção foi inexistente, limitando-se à inscrição no torneio da Agrária e da Bairrada. Sem desprimor para os torneios referidos, não percebemos e não aceitamos que em 2006 e 2007, estando o Cascais em pleno “projecto para voltar a ser campeão” seja esta a ambição desportiva para a equipa de sevens sénior.

Não percebemos como não se utiliza os sevens para dar exposição ao Cascais, tão importante na negociação com patrocinadores, não percebemos o contraste entre as palavras e as acções, mas acima de tudo não percebemos e não aceitamos o nem se tentar! Não aceitamos a total falta de interesse! Não nos importamos de sermos nós a fazer, a fazer ser possível, mas pelo menos demonstrem que se interessam, pelo menos façam-nos crer ser importante!


As glórias do clube:

Muito mais havia para dizer e reflectir. Muita coisa se passou neste dois anos, sem que a secção de rugby demonstrasse interesse ou mesmo conhecimento. De repente ex-jogadores do clube deixaram de poder treinar com a equipa. Para a secção estava tudo bem, aliás, nem sabemos se tiveram conhecimento. De repente o 2º jogador mais internacional do clube (Pedro Rogério) e um verdadeiro “mouro de trabalho” (quantos campos pintou ele há uns anos atrás…) principalmente na última década, abandona o clube a meio da época. Nem uma despedida, nem uma justificação, nada.

Não foi por acaso que decidimos avançar com a organização de uma gala em que homenageámos vários jogadores e personalidades do clube, pelo seu mérito desportivo e dedicação ao clube. Essa deveria ser a obrigação da direcção, criar mecanismos de recompensa simbólica aos seus jogadores da casa. Fazer ver aos outros que é um orgulho ser do Cascais, para que cada vez mais pessoas queiram pertencer à família. Esse deveria ser um projecto dum clube que se quer grande, vencedor e unido. A secção não se lembrou. A secção não o fez. Fizemos nós!


A divulgação do Clube:

Acusam-nos de conflituosos…mas há anos que falamos de união, há anos que tentamos aproximar todos os recursos humanos do clube, que ainda por cima são dos melhores que há em Portugal. Foram criados dois sites, dois blogs, que muito divulgaram o rugby do Cascais. Informava-se sobre dias e horas dos jogos, a classificação no campeonato, dava-se voz a adeptos e ex-jogadores através de crónicas de bancada, nomes como João Jonet, André Villar, Magoo e Alfredo, Manuel Teixeira, Nuno e Vasco Durão, John Dobson, Nuno Pinto Leite entre outros, passaram e começaram a ter o Cascais no seu dia a dia!

Outros não escreveram por impossibilidades várias, mas nomes como Kinkas, Manuel Luis, Nicha, não deixaram de ser convidados. Fizeram-se entrevistas a “velhos” e novos. Começou-se por reunir em imagem e vídeo a história do rugby do Cascais. Tudo isto semanalmente e às vezes diariamente actualizado (ao contrário do site oficial do clube, onde basta a parte dedicada ao rugby, e constatar em pleno inicio de época 2007/2008 as informações com 2 anos de desactualização que ainda por lá persistem…).Tudo isto com o objectivo de unir o clube. Tudo isto enquanto treinávamos e jogávamos rugby, ao mesmo tempo que desenvolvemos a nossa vida profissional, e convivíamos com as nossas famílias. Tudo isso enquanto por exemplo se organizava um torneio de sevens no nosso campo, num mês, que trouxe a Cascais 10 equipas nacionais. Um torneio que mais uma vez teve expressão nos meios de comunicação social! Tivemos a ideia, idealizámos o projecto e fizemos acontecer!

Muitas outras ideias foram expostas, e é com agrado e prova da nossa capacidade que vemos, hoje, que a secção conseguiu aproveitar alguma delas, como a realização de um torneio de inicio de época em Cascais, com convites ao clube campeão nacional e outros, e se possível a presença de uma equipa internacional.

Ideias como “Os Amigos do Cascais” plagiada por nós de um outro clube nacional, o CDUL foi por nós apresentada na gala. Só ficou a faltar executar. A busca de pequenos patrocinadores/doadores foi por nós idealizada, só faltou executar uma vez que a direcção não concordava com o valor proposto por nós para atribuir aos jogadores mais novos que fossem para “a rua” fazer esses contactos. Mais uma vez não pensávamos da mesma maneira…


O Rugby dentro do GDS Cascais:

Não só na constatação do nosso desagrado em relação à actual secção de rugby, acerta o comunicado emitido pela direcção do GDS Cascais, acerta também quando refere que outro motivo do nosso descontentamento é, pegando nas suas palavras, o “desinvestimento e perca de importância relativa do rugby dentro do GDS Cascais”, chegando mesmo a referir que essa é uma critica recorrente (ás vezes justa, outras injusta) desde 1976!!! Ora, será que essa crítica persiste há mais de 30 anos sem alguma substância? Vamos continuar a criticar durante mais 30 anos, ou estamos na disposição de fazer alguma coisa?

A realidade porém é que tínhamos prometido um estádio de rugby, há já vários anos. Foi esse o projecto iniciado por muitos, há muito tempo. Teríamos um estádio de rugby e um campo de treinos. O que existe hoje é bem diferente: temos um só campo para o futebol e para o rugby. Um campo sintético. Outro campo está para vir, segundo o que se diz, com as dimensões de futebol de 7. Também sintético. As marcações de rugby do nosso campo passam de repente a amarelo, enquanto as do futebol estão a branco, sendo estas as principais. Os horários dos treinos começaram a ser mudados, com o treino dos seniores a passar para as 9 da noite, e os juniores a treinarem à sexta feira. Se isto não é perca de força interna do rugby, então não sabemos o que é! Isto já para não falar de desabafos feitos relativos à forma como decorrem as assembleias gerais, no que diz respeito ao diferenciamento no tratamento entre o rugby e outras modalidades.

Cada vez mais se torna evidente que um clube de rugby só é forte se for efectivamente um Clube de Rugby. Veja-se o caso do Direito e Agronomia, e mesmo do CDUL, e veja-se as dificuldades do Belenenses e do Benfica.

A nossa visão do Comunicado…

Como diz o comunicado da direcção, realmente saímos do clube por não concordarmos com o rumo dado ao rugby do Cascais, pela sua actual direcção. Não duvidamos nem questionamos as boas intenções das pessoas, temos no entanto formas radicalmente opostas de ver e viver o rugby do Cascais. Não somos os “bons” e os outros os “maus”. Somos “apenas” diferentes. Muito diferentes. Somos incompatíveis. Por isso saímos.
Mesmo depois de todas estas palavras, é sempre possível atribuírem-nos outras razões para a nossa saída do clube. Temo-nos habituado a isso, basicamente a teoria é que somos todos manipulados por terceiros. Deixamos a quem nos conhece verdadeiramente esse juízo de valor.


Podem-nos acusar e insultar de tudo, mas nunca poderão sequer questionar o nosso amor e dedicação ao rugby do Cascais. Mais do que palavras, os nossos actos falam por si. Claro que para os conhecerem tinham que ter estado lá. Quando era preciso. Quando fazia falta. Quando as condições começaram a faltar, e o Rugby entrou em “descalabro”, e por pouco não acabou, não fossem alguns verdadeiros dedicados que aí se mantiveram (muitos para além de nós), a treinar numa área de ensaio, sem luz, sem cabines, enfim a história que todos sabemos, mas que alguns, que fugiram dos problemas, fingem que não aconteceu.

Na última década fomos com orgulho, jogadores e treinadores do rugby do Cascais. Muitos de nós formaram grande parte dos jogadores mais novos que fazem parte da actual equipa sénior. Ao contrário do que nos acusaram no comunicado da direcção, fizemo-lo com qualidade, com dedicação e empenho, com Amizade, com assiduidade, e de borla! Fizemo-lo dedicando anos e horas do nosso tempo em prol do clube. Fizemo-lo porque era um orgulho. Fizemo-lo porque não havia alternativa. Fizemo-lo inclusivamente com resultados desportivos, ao contrário do que se diz, mais uma vez fruto do desconhecimento.

Todas estas razões nos levaram a sair do clube. Sabemos que nenhuma instituição é perfeita, sabemos que haverá sempre desacordos e diferenças entre as pessoas que constituem um clube, sabemos de todas as dificuldades que vão aparecendo durante a gestão de uma modalidade amadora, sabemos e conhecemos todas estas condicionantes, até porque estas e muitas outras dificuldades foram vividas e ultrapassadas por nós, sabemos e toleramos essas dificuldades todas.

O que nós não toleramos são as diferenças de valores que nos separam da direcção. Não foi com estes valores que nós fomos criados no Cascais desde os 8 anos, não foi assim que crescemos no clube, e principalmente não foi à custa destes valores que o clube conseguiu chegar onde chegou na década de 90.

A razão de criar um Clube novo surge depois. A razão de criar um Clube novo é porque somos amigos. Dos mais velhos aos mais novos, aprendemos no Rugby a ser amigos. Disputámos batalhas juntos. O Rugby deu-nos muito. Queremos continuar a fazê-lo juntos. Queremos proporcionar aos mais novos aquilo que de bom o Rugby nos deu. O novo Clube é exactamente isso. Um Clube só de Rugby. Um Clube só de Rugby com o espírito do Cascais. Por isso, esquecendo as coisas desagradáveis do passado, mas mantendo vivo o espírito e recordando os fantásticos momentos que o Rugby nos proporcionou, vamos tornar possível aos mais novos um Clube de Rugby forte e cheio de sucesso.

Henrique Mesquita
João Ulrich
Pedro Silva
João Heleno
Pedro Leitão

Nota: a presente carta é da autoria dos cinco jogadores que abandonaram o clube. Outro assunto é a criação do novo projecto onde estão envolvidas outras pessoas, que não as referidas."

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